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O processo constrói o atleta - por Higor Lopes

Desde os 3 anos de idade não sei o que é viver longe do esporte. Na infância experimentei várias modalidades mas sempre tive a natação como base, esporte que comecei para curar uma bronquite asmática, atualmente controlada, mas que me acompanha desde que sai da barriga da minha mãe.

 

Aos 12 anos conheci o Triathlon e fiz minha primeira prova na distância Sprint¹, totalmente sem saber o que estava acontecendo e sem menor treinamento específico, apenas na molecagem e a bagagem de uma infância com muitos quilómetros de azulejo e água com cloro. Deu bom, consegui um pódio na primeira oportunidade no maior circuito Nacional. Foi paixão ao primeiro troféu

 

 

Além de começar a treinar porque o esporte mexeu comigo, pedalar e correr eram treinos que me aproximavam do meu pai, também triatleta. Na rotina dele de empresário, pai de família e atleta, era muito difícil ter tempo de sobra, então os treinos de final de semana eram nossos momentos juntos sem pensar em mais nada. Ele sempre foi minha referência no esporte e um baita parceiro. Competi muito, aprendi bastante sobre a vida e em 2011 meu herói teve câncer e se afastou do esporte. Passamos alguns anos longe das competições e treinos, até que em 2015 ele teve alta e eu decidi voltar para tentar motivá-lo e mostrar que seria possível, bastava querer. 

 

 

Voltei em grande estilo, fiz uma prova de Ironman 70.3² sozinho, sem treinador, sem acompanhamento algum, treinando apenas 2 meses e meio. Deu certo, cheguei ao final e entreguei a medalha pro meu parceiro. Pronto, o bicho me pegou de novo e só pensava em ser competitivo outra vez. Após alguns meses o corpo já havia assimilado o que estava acontecendo e eu voltei a performar nas provas curtas. Com isso, o sonho do Ironman full³ foi se tornando cada vez mais real, até que em 2018, após várias provas curtas, alguns 70.3 e um incentivo do meu treinador, decidi assumir o risco de largar. 

 

Para fazer um ironman é necessário mudar toda sua rotina por pelo menos 6 meses e deixá-la ajustada para que você consiga render o suficiente em todas as outras areas da vida - estudos, trabalhos, convívio social, família - e se manter treinando sem desistir no meio do ciclo. Os horário ficam malucos porque o treino demanda demais, qualquer incentivo extra e estímulo de energia mudam o dia, que muda todo o processo pra melhor. Tudo precisa ser muito bem pensando e planejado durante esses 6 meses. Cheguei ao Ironman um cara completamente diferente daquele que decidiu se inscrever. 

 

 

A gente desenvolve uma capacidade de ser mais forte e aguentar as pancadas no trabalho, o sono vem, mas resistimos e conseguimos estudar até mais tarde e mesmo assim madrugar para pedalar 4 ou 5 horas no dia seguinte. Resiliência é a palavra. Não sei se concluir a prova em si muda alguma coisa nas nossas vidas, afinal aquilo é só mais um dia fazendo tudo que já fazemos, mas com certeza o processo é mágico. Sem dúvida nos torna pessoas melhores e mais preparadas para o mundo, prontas para aumentar a performance em tudo na vida.

 

 ¹ Sprint: 750 metros de natação / 20 km de ciclismo / 5 km de corrida

²  Ironman 70.3: 1.9 km de natação / 90 km de ciclismo / 21 km de corrida

³  Ironman full: 3.8 km de natação / 180 km de ciclismo / 42 km de corrida

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